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¯`*·.¸¸♥ღ°Quem é essa que me olha de tão longe, com olhos que foram meus?(Retrato antigo - Helena Kolody) ¯`*·.¸¸♥ღ° Quem é essa que me vê do lado de lá quando eu dela preciso cá? Quem é essa que está em mim e eu nela em hora sem fim? Quem é essa, quem sou eu?De tanta pressa o vento a levou...Fiquei eu Olho no olho O meu no seu Num retrato antigo Num estar comigo Num olhar só meu. (Janice Persuhn)¯`*·.¸¸♥ღ° De retralho em retalho tiram pedaços de mim de espaço a espaço costuram os vazios de mim de palavra a palavra descobrem eu sou mesmo assim. (Autópsia) ¯`*·.¸¸♥

PrOfeSsOrA WiLma NuNeS RaNgEl

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Assuntando Ariano Suassuna


O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado.
Ariano Suassuna




Estendendo e detonando a evolução com sua simplicidade




Assista ao vídeo 
Assisti recentemente a uma conferência de Ariano Suassuna, que me levou a algumas reflexões teológicas. Aliás, não foi bem uma conferência; foi uma aula show. Talvez o mestre paraibano, por sua natural modéstia, não aceite essa designação. Mas, no momento, não acho outra melhor; vai essa mesma. Naquela uma hora e pouco em que permaneci ligado à internet, passei a conhecer outro aspecto da rica personalidade do poeta e romancista, que jamais escondeu o seu amor pelas coisas sertanejas e incompreendidas de nossa terra. Descobri que, sob aquela imensa cultura que transcende estilos e discursos, há um cristão que não se envergonha do Cristianismo.

Boa parte dos intelectuais faz questão de se declarar ateia. Acha essa gente que a descrença em Deus é aquele derradeiro toque que não pode faltar à formação do homem pós-moderno. Eles são fruto de uma academia que, incapaz de ver além de seus horizontes, reduziu-os a pensar que, no arcabouço das conquistas humanas, a religião é um detalhe mero e descartável. Ariano Suassuna não pensa assim. Embora conheça profundamente a filosofia, e sendo ele mesmo filósofo, faz questão de declarar a sua fé nas crenças bíblicas, entre as quais, durante aquela sua palestra, empenhou-se por destacar o Criacionismo.
O prendedor de roupas


Com um sotaque encantador, que lembra o Nordeste e não esquece o Brasil, Suassuna começou, num daqueles parêntesis que só ele consegue fazer, a encarreirar os absurdos de Darwin. Num dado momento, disse que tiraria algo de sua pasta, a fim de provar as incongruências do Evolucionismo. Ele deixou bem claro que não seria a nona sinfonia de Beethoven, nem a Divina Comédia, de Dante Alighieri, pois não queria humilhar os macacos.

Depois de revirar a sua velha e surrada pasta, tirou dali um prendedor de roupas. Em seguida, passou a mostrar o engenho simples, porém eficientíssimo, daquele instrumento que, em todo o mundo, democratiza as roupas, unindo-as em fios e arames comuns. Depois de exibir o mecanismo daquele solitário objeto, acrescentou: “Quem inventou este prendedor é um gênio. Com simples movimentos, prendo e solto minhas roupas. Logo, o macaco nem daqui a quinhentos milhões de anos conseguiria criar algo parecido”.

Sei que algumas pessoas naquele auditório não gostaram do comentário do autor do Auto da Compadecida. Como ninguém ousasse manifestar-se, Ariano prosseguiu afirmando que é mais lógico acreditar no Gênesis da Bíblia Sagrada do que no enredo de Charles Darwin.
A tirania do politicamente correto

Ariano Suassuna deixou bem claro não estar nem um pouco preocupado com o politicamente correto, essa tirania pós-moderna que nos impede de dizer o que pensamos. Aliás, quando alguém antepõe a locução “politicamente correto” a um discurso, na verdade quer dizer: esquerdista ou ateisticamente correto. Isto porque, hoje, não se pode falar, nem sequer pensar, fora dessas fronteiras. Se nos atrevemos a nos expressar além desses limites, logo aparece um representante da esquerda, ou um apóstolo do ateísmo, para impor-nos a sua censura. Sim, justamente eles que tanto apregoam a liberdade de expressão.

O bom e velho Suassuna, porém, mostrou que não podemos curvar-nos à tirania do politicamente correto. Devemos, sim, manifestar-nos com transparência e franqueza. Caso contrário, o politicamente correto transformar-se-á num monstrengo semelhante à Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung. Aliás, tal fantasma já vem assustando até mesmo democracias fortes e vigorosas como a norte-americana. Se não nos precavermos, virá o dia em que todos teremos de portar um livrinho vermelho, indicando-nos o que falar e pensar. Aliás, desconfio de que tal documento já esteja no prelo, pois não são poucas as tentativas de calar-nos a boca e sufocar-nos a consciência.
Voltemos, porém, ao prendedor de roupas de Ariano.
Nem Aquino, nem Newton

Depois de ouvir Suassuna, constatei que não preciso de Tomás de Aquino, a fim de provar a existência de Deus. Posso substituir as cinco vias do teólogo italiano pelo único prendedor de roupas do poeta de João Pessoa e de todas as gentes. Sim, dois gravetos movidos por uma molinha de metal são suficientes para mostrar que Deus realmente existe e que o homem não é fruto de evolução alguma.

Na apologia da fé cristã, usamos às vezes complicados argumentos cosmológicos, e não deixamos de reclamar a ajuda de Newton. Mas, para quem está disposto a crer, basta um apertãozinho do prendedor de Ariano, e as vestimentas do bom-senso logo se ajustam ao corpo da fé cristã. Por que, então, a complexidade da mecânica celeste se temos um mecanismo tão singelo e prosaico como o prendedor de roupas do poeta?
Uma parábola que não foi escrita

Não sei dizer se à época de Jesus já existia prendedor de roupas. Mas, caso existisse, daria uma boa parábola, pois o Senhor, conquanto Mestre dos mestres, era um homem simples e apreciador das coisas singelas. E de cada uma destas, tirou preciosas lições. Da pequenina semente da mostarda, extraiu Ele a grande doutrina da fé. Na dracma perdida, fez-nos achar o real valor da vida. E com a ovelhinha que se extraviara, tangeu-nos ao Bom Pastor.

Jesus também nunca se dobrou ao politicamente correto. Acho que Suassuna muito aprendeu com o Nazareno. Para o homem que se apresentou como a própria verdade, a mentira, ainda que aceita pela sociedade, sempre traz prejuízos à nação. Por isso, entre a aparente correção do pós-modernismo, que tem na velha e matreira serpente a sua inspiração, façamos como o mestre paraibano. Mostremos que há mais proveito num prendedor de roupas do que em teorias esdrúxulas e esquisitas como a de Charles Darwin.

Ptd: Wilma
Do Blog CPADNEWS P Claudionor

Ariano Suassuna, seus causos e sua intransigência na defesa da cultura popular

Ariano Suassuna continua com a língua afiada, como ele mesmo diz, para atacar qualquer coisa que ela acha que possa conspurcar a verdadeira cultura popular brasileira. O saco de pancado escolhido para esta noite [29/11/2009] foi a banda Calypso, que ele esculhambou pelo menos em três ocasiões diferentes, em sua aula-show no Centro Cultural Sesc [Cine São Luiz].
No começo, um pouco de autoironia: disse que já está um pouco cansado de repetir as mesmas coisas. E que sente pena de sua mulher que o acompanha em todas as palestras “ouvindo sempre as mesmas histórias”. Contou como começou a namorá-la, “em 20 de agosto de 1947” – e diz que só a conquistou, pois as “moças bonitas costumam ter mau-gosto”, referência à sua suposta feiúra. “Eu tive sorte”. Choveram aplausos.
Passou três filmes de música e dança que compõem um projeto que leva artistas para as cidades do interior de Pernambuco – atividade que ele realiza como secretário da Cultura de Pernambuco. Aproveitou para comparar um dos bailarinos com Michael Jackson, puxando a brasa dos elogios para o brasileiro.
O ponto alto da palestra foi o tributo que ele fez a Leonardo Mota, o cearense de Pedra Branca, de quem em venho publicando alguns textos neste blog [veja aqui]. Mostrou uma foto do mestre Leota, a mesma que pode ser vista no link.
Ariano diz que sempre gostou, desde menino, de livros e de cantadores. Quando descobriu, nas escrituras de Leonardo Mota, que os cantadores eram “objeto de livro”, percebeu  também que “eles eram respeitados”.
“Foi o primeiro escritor que me chamou a atenção para o romanceiro popular, eu devo muito a ele: tudo o que eu escrevo tem essa marca”, disse, citando os livros “Violeiros do Norte” [1925] e “Sertão alegre” [1928], que eram da biblioteca do pai de Ariano, de quem mestre Leota era amigo.
“Eu presto a minha homenagem a ele, um cidadão que honra o Brasil”, disse Ariano, lamentando o esquecimento a que Leonardo Mota vem sendo relegado.
Piada
Ao criticar o hábito que muitos têm de pôr nome americanizado nos filhos, Ariano contou a história de um amigo dele, com quem trabalhou, de nome Clomilton [a mãe Clotilde, o pai, Milton]. Disse que quando lhe nasceu o primeiro filho, Clomilton lhe pergunta que nome  lhe daria: Joaquim, responde Ariano.
Clomilton estranhou que um homem “estudado” como Ariano pusesse um nome tão comum no filho. Ariano pergunta que nome Clomilton pusera no filho dele, que nascera há alguns meses: Walton Alighieri, responde Clomilton. Um nome de respeito.
Ariano conta outro “causo” acontecido com o mesmo Clomilton, que era gago. Um dia Ariano liga para seu trabalho, atende Clomilton:
– Aaalô.
– Clomilton, Ariano.
– Peraí que eu vou chamar.
– Mas, Clomilton, é Ariano.
– Deixa de ser avexado, já tô indo chamar.
[Volta]
– Ariano não está.
– Eu sei que ele não está.
– Se você sabe que ele não está, por que ligou?
– Clomilton, deixa de ser doido, é Ariano que está falando.
– Agora danou-se. Você liga para você mesmo e diz que o doido sou eu?
[Risos e aplausos]
Mais
? Todas as cadeiras do Cine São Luiz estavam ocupadas e ainda tinha gente sentada no chão.
? Lá pelo meio da palestra alguém leva uma bandeira do Estado do Ceará e cobre com ela a mesa que serve de apoio a Ariano. Ao fim da aula-show Ariano mostra a bandeira e a beija.
? A palestra foi entrecortada de aplausos. A cada frase, choviam palmas. Uma maneira meio besta de se comportar, eu acho, mas não é exclusidade do público cearense. Na Flip [Feira Literária de Parati], na palestra de Gay Talese, bastava ele abrir a boca para ser ovacionado [vi por vídeo]. Ariano merece respeito e aplausos, mas bater palmas a cada segundo, sei lá…
? O tema oficial da aula-show foi “Raízes populares da cultura brasileira”, no encerramento 

 “Ariano Suassuna, seus causos e sua intransigência na defesa da cultura popular


  1. a aula-espetáculo (e que nome mais estranho!) foi muito bacana. ariano suassuna pode não ser reconhecido em aviões, ou no térreo da Universidade onde leciona, mas é reconhecido como legítimo defensor da cultura popular, cultura das origens negras e indígenas; e precisamos dessas pessoas sempre por perto para suscitar reflexões, garantir desconfortos na poltrona e aguçar a percepção para o que normalmente esquecemos de observar no âmbito da cultura.
    de toda maneira, exageros não me agradam. suassuna é “cabra arretado”, merece ser estimado e respeitado; no entanto, seu radicalismo, muitas vezes, aproxima-se do conservadorismo. aliás, nele, confundem-se.
  2. “em sua aula-show no Centro Cultural Sesc…”
    Se Ariano lesse isso, ele criticaria. Na coletiva que ele deu ontem, um repórter perguntou sobre a “aula-show” e ele respondeu: “Não é aula-show, é aula espetáculo, show é uma expressão que a gente usa pra espantar galinha”, e se referiu ao inglês como uma “língua bárbara”.
    Sou muito admirador do Ariano Suassuana, mas a anglofobia dele me incomoda. Show já é uma palavra usada no Brasil todo. Já morei no interior do interior do Ceará, e lá essa palavra comum no dia a dia de lá.
    Também houve o problema nos slides (não imagino a palavra em português que ele usaria no lugar de slides) e acabou não tendo a aula como ele planejara.
    A reportagem com trechos da coletiva foi exibida na TV O POVO e pode ser vista aqui: http://www.youtube.com/watch?v=yBsj0Ryyrn4

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