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Quem sou eu

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¯`*·.¸¸♥ღ°Quem é essa que me olha de tão longe, com olhos que foram meus?(Retrato antigo - Helena Kolody) ¯`*·.¸¸♥ღ° Quem é essa que me vê do lado de lá quando eu dela preciso cá? Quem é essa que está em mim e eu nela em hora sem fim? Quem é essa, quem sou eu?De tanta pressa o vento a levou...Fiquei eu Olho no olho O meu no seu Num retrato antigo Num estar comigo Num olhar só meu. (Janice Persuhn)¯`*·.¸¸♥ღ° De retralho em retalho tiram pedaços de mim de espaço a espaço costuram os vazios de mim de palavra a palavra descobrem eu sou mesmo assim. (Autópsia) ¯`*·.¸¸♥

PrOfeSsOrA WiLma NuNeS RaNgEl

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Coletânea para a Prova Parcial do 4º Bimestre


Bomba versus Lama 

Texto 1


Uma das coisas mais tristes que o ser humano acaba fazendo diante de grandes tragédias é a relativização de tragédias.

Eu me lembro que quando eu era criança, eu via notícias de crianças passando fome na frica e um ou outro adulto dizia: “Ahhh, mas aqui no Brasil tem um monte de criança passando fome e ninguém faz nada” - uma das coisas mais imbecis que já escutei, por uma série de razões: 

Primeiro, porque lá na ?frica, onde aquelas crianças passavam fome, elas eram encurraladas por países em GUERRA, elas eram vítimas de uma violência desmedida, em países paupérrimos (e acreditem, não é um superlativo exagerado, não), onde a classe média de lá, é o miserável daqui. 

Segundo, porque se existem crianças aqui, em um país riquíssimo e farto em recursos naturais - é sinal que somos muuuuitoooo egoístas ou existe alguma coisa muuuuitoooooo errada na forma de se administrar o país, não é mesmo? Passar fome, no Brasil é como dizer “tem gente passando sede, na beira do Rio Amazonas”. Jamais, isso deveria acontecer. 

Dizer que não devemos nos preocupar com crianças africanas passando fome na ?frica porque aqui também existem crianças passando fome, é carimbar o nosso atestado de incompetência e a nossa carteirinha de insensibilidade humana. 

Gente assim também pensa: “pra que me importar com crianças passando fome no Nordeste, se aqui no meu Estado também têm.” e depois: “pra que me importar com crianças passando fome no meu Estado, se aqui no meu bairro, também têm”…até chegar ao ponto de dizer “pra que ajudar alguém, se ninguém me ajuda?”. 

Quando relativizamos tudo, o resultado final é esse. Sempre esse: o egoísmo puro e absoluto, do individualismo humano.

O meu é melhor que o seu. O meu é pior que o seu. Sempre.

E no mais, senhores - fome é FOME. Não interessa onde seja, com quem seja. Fome, é uma das dores mais absurdas que o ser humano pode sentir, e só quem já sentiu isso alguma vez na vida - como eu - entende, como isso é.

Hoje, a coisa não mudou muito não. Vejo uma tragédia imensa como essa acontecendo em Paris, um ódio infinito disseminando mortes violentas a esmo, por conta de um radicalismo extremo religioso e acreditem, existem pessoas censurando o nosso direito de nos sensibilizarmos com a tragédia francesa, apenas porque uma outra grande tragédia aconteceu aqui - no Brasil - na pequena cidade de Mariana, em Minas Gerais, há poucos dias.

“Ficam aí falando de Paris, mas Mariana que é bom…” (suspiro)
(...)

Mas tragédias como a de Mariana e de Paris poderiam ter sido evitadas. Isso sim, é o que dói mais, nos dois casos.

Mariana, pela negligência continuada, ano após ano. Paris, pela insanidade religiosa, estudada, planejada e programada.

Ambas, tragédias provocadas pela ação do ser humano. Ambas, evitáveis. Ambas, provocando dor, comoção e sofrimento, para muitos. ( Fábio Márcio, Jornal MS Diário, 16/11/15, Blog Só Atividades)


Texto 2

A inveja é uma mérde - Fábio Marchi


Apesar de sermos um país “abençoado”, somos um povo invejoso. 

Não é a inveja pelo que não temos, mas pelo que não somos. E acreditem, somos tão invejosos, ao ponto de invejarmos a atenção dispensada, pela tragédia alheia - o que causa muita preocupação: pois quando o povo de um país, passa a sentir INVEJA de todo o rebuliço causado no resto do Mundo, por conta de uma tragédia acontecida em OUTRO país - é porque chegamos ao fim do poço, no quesito “vencer na vida” (na verdade, já passamos desse fim, cavando um belo buraco). 

[...]

Só para se ter uma noção do quanto somos diferentes, algumas horas depois dos atentados na França, o presidente pessoalmente estava lá, andando sobre escombros e conversando com as vítimas. Aqui, nossa Presidenta fez um sobrevôo de helicóptero, em Mariana. Não andou de barquinho, não colocou o pé na lama.

Lá, o Governo Francês combate com veemência as ações terroristas. Aqui, o Governo Brasileiro apóia a imigração de jihadistas - ou seja, os extremistas islâmicos que defendem matar qualquer um que seja “infiel”, pela sua “guerra santa” (onde em sua cultura, mulher não manda porcaria alguma, e jamais será Presidente de algo). Podem vir bombardear aqui, que somos o povo mais legal e acolhedor do Mundo, viu?

[...]

É claro, não vou dizer que o brasileiro não tenha bom coração. É claro que temos - e garanto que a maioria da nossa população, em sua imensa maioria (na verdade, a esperança é essa), tenha boa índole e se preocupe, de verdade, com as tragédias alheias, tanto aqui, como acolá.

Mas é que aqui, nós sabemos que as coisas são diferentes. Principalmente, porque alguém vai passar a perna, na sua boa fé e na sua vontade, em ajudar. 
(...)

Nós não acreditamos em nós mesmos. E não fazemos o menor esforço, para que isso mude. Admiramos e temos condolência com a tragédia alheia, porque no fundo, sabemos que lá, as coisas funcionam de verdade.

[...]

Entendam: não é descaso. É admissão, do nosso fracasso social.

Ainda tem dúvidas? Então vou dar dois exemplos clássicos, duas tragédias que, há décadas - atormentam a população de tal jeito - que já nos tornamos relativamente insensíveis a elas, em algum nível:

Seca no Nordeste e deslizamentos de terra, no litoral Sudeste/Sul.

Sim, elas existem, e são tragédias humanas - mas o resto do povo se importa cada vez menos, a cada ano que passa (quem recebe doações, sabe exatamente do que estou falando). 

A primeira é uma tragédia lenta, gradativa e não sensibiliza a mídia - são pessoas pobres, não são consumidores dos produtos dos anunciantes (boa parte desses locais, nem TV têm) e portanto, não merecem muito interesse pelos órgãos de comunicação locais - quiçá, os nacionais. A segunda, por ser uma tragédia sazonal - de época marcada - gera mídia, mas causa estresse no resto da população: afinal, se sabem que isso vai acontecer DE NOVO, porquê não fazem nada? [...]

E por quê não resolvem? Resposta simples: ambas são motes eleitorais e ajudam muito os políticos a se elegerem ou reelegerem-se. A promessa de uma vida melhor e diferente ainda é o melhor cabo eleitoral. Ademais, no Brasil, tragédias infinitas, sem solução, continuadas e persistentes - são uma excelente fábrica de dinheiro. Nosso dinheiro.

Sendo assim, antes de você reclamar que alguém mudou a foto do perfil nas redes sociais pelas cores da bandeira francesa (porque as redes sociais conseguiram se mobilizar para isso, mais rapidamente do que uma votação de reality show ), dê o exemplo! Mostre que você é o brasileiro ou a brasileira, que fez a diferença!

Mostre o que você já fez pela cidade de Mariana, por exemplo. Mostre a doação que você já fez, seja em dinheiro, comida ou água. Foi lá trabalhar como voluntário(a)? Mostre o quanto você tem moral para cobrar algo, além de reclamar muito, nas redes sociais. Mostre pelo menos a petição virtual que você assinou, pedindo justiça- antes de vociferar que “a gente não liga para as nossas tragédias”.

Todos ligamos, amigos. Só não acreditamos mais na resolução delas. 

Como mostrar para o Mundo que merecemos atenção e solidariedade para as nossas tragédias, se nós mesmos não levamos a sério, as NOSSAS tragédias? [...]

E você ainda vai ficar de mimimi, por causa de amigos que mudaram seu avatar nas cores da França, no FEICE, através de um sistema que o próprio Facebook criou e disponibilizou, através de UM CLIQUE ??? Então convença Mark Zuckerberg para que, na nossa próxima grande tragédia brasileira, ele se comova e assim, disponibilize uma ferramenta semelhante para nós, ok? Aí sim, vai ficar tudo legal, tudo em casa! 

Afinal de contas, só assim - e só isso, um avatar - demonstraria o nosso respeito pelas nossas tragédias, né?

PS: Esse texto, é mais para quem não entendeu meu OUTRO texto, aqui. Se você entendeu, parabéns - vai ganhar um croissant! Virtual, é claro.



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