domingo, 28 de maio de 2017

Você é o escritor

Crônica - 8º ano do Ensino Fundamental.




 A crônica trata dos mais variados assuntos, não importando tempo, espaço ou personagem. Na efemeridade das páginas de um jornal ou na eternidade de uma página de livro, ela está sempre ensinando alguma coisa, fazendo o leitor refletir, prestar atenção naquilo que, a princípio, parecia menor; apresentando uma realidade recriada.



Com essa responsabilidade estão os cronistas – pessoas sensíveis, atentas, preocupadas em captar um breve instante e proporcionar ao leitor a cumplicidade, o diálogo e, sobretudo, a reflexão. Profissionais que não pretendem informar ou "contar" a história, embora possam fazê-lo. Mas, acima de tudo, formar e trazer a história para a vida de cada um de seus leitores.

Crônica seria como um desabafo para o autor. Ele estaria relatando um problema do cotidiano e principalmente CRITICANDO, através do seu ponto de vista. Os autores de crônicas abusam dessa forma de texto exatamente pela oportunidade que tem de dar o seu ponto de vista.

No sentido atual, crônica é um tipo de texto publicado num jornal, diariamente, ou em alguns dias da semana.
Apoia-se num fato do dia-a-dia, que o cronista usa como pretexto, como ponto de partida para uma reflexão, ou para que ele conte uma história.
Obrigatoriamente, a crônica não apresenta uma forma fixa de composição (apresentação, desenvolvimento e desfecho) e é caracterizada, principalmente, pelo enfoque pessoal do cotidiano, através da emoção do cronista.

O foco narrativo pode ser em primeira ou terceira pessoa

As crônicas saem principalmente em jornais. Depois, algumas selecionadas, são publicadas em livros.
1. Escolha algum acontecimento atual que lhe chame a atenção. Você pode procurá-lo em meios como jornais, revistas e noticiários. Outra boa forma de encontrar um tema é andar, abrir a janela, conversar com as pessoas, ou seja, entrar em contato com a infinidade de coisas que acontecem ao seu redor. Tudo pode ser assunto para uma crônica.


É importante que o tema escolhido desperte o seu interesse, cause em você alguma sensação interessante: entusiasmo, horror, desânimo, indignação, felicidade... Isso pode ajudá-lo a escrever uma crônica com maior facilidade .

EXEMPLO DE CRÔNICA COMENTÁRIO


O PODER ULTRAJOVEM NO PODER

Pense em tudo o que você não teria aprendido ao longo da vida se seus pais tivessem deixado você decidir tudo o que queria desde a infância. Quantas músicas não teria ouvido, quantas comidas não teria experimentado, quantas pessoas não teria conhecido. Outro dia um primo, que tem duas filhas de 12 e 10 anos e um menino de 8, estava dizendo que eles têm um acordo. As crianças só podem ouvir High School Musical no carro da mãe. No carro dele, é ele quem manda na programação musical. "Porque se a gente deixar", ele disse, "elas nunca vão ouvir nada além disso."


Minha irmã e eu passamos a vida inteira reclamando de ter de ouvir Jovem Pan AM de manhã quando estávamos indo para a escola. Só de ouvir o "Vambora, vambora, olha a hora..." a gente tinha arrepios. Mas ninguém morreu por causa disso e com certeza éramos mais bem informadas do que algumas colegas.


Hoje os pais têm filhos e ficam completamente fora do mundo. Ninguém mais vê filme de adulto, nem lê livro de adulto, nem assiste programa de TV de adulto. Talvez seja uma estratégia escapista, mas é fato que as crianças hoje têm um poder muito maior do que a gente teve. O resultado não é legal. Graças às vontades e gostos dos meus pais e avós, hoje conheço muito de música, não tenho frescura pra comer e suporto bem situações que a maioria das pessoas acha mala. Melhor pra mim.


Tem uma crônica do Drummond, publicada num daqueles volumes chamados "Para gostar de ler", coletâneas que a Ática publicava na década de 80, que justamente chama "O poder ultrajovem". Era sobre um pai que leva a filha pequena pra jantar fora e os dois ficam discutindo o que vão comer, porque o pai quer pedir uma lasanha pros dois e a menina quer comer camarão. Claro que a menininha dá um nó no pai, mas naquela época isso tinha graça porque era incomum. Era só o começo da ditadura da infância que hoje assumiu o poder.
CRÔNICA COMENTÁRIO
Apresenta um acontecimento em primeiro plano, acompanhado de uma reflexão.Não apresenta uma forma fixa de composição. Pode-se usar linguagem direta, denotativa, próxima da jornalística e seu tom pode ser irônico, bem ou mal humorado.


EXEMPLO DE CRÔNICA COMENTÁRIO














OLHADOR DE ANÚNCIO
(Carlos Drummond de Andrade)

Sempre é bom tomar conhecimento das mensagens publicadas. É o mundo visto através da arte de vender. “As lojas tal fazem tudo por amor”. Já sabemos que esse tudo é muito relativo. “Em nossas vitrinas a japona é irresistível”. Então, precavidos, não passaremos diante das vitrinas. E essa outra mensagem é, mesmo, de alta prudência: aprenda a ver com os dois olhos”. Precisamos deles para navegar na maré do surrealismo que cobre outro setor de publicidade: “Na liquidação nacional, a casa X tritura os preços”. Os preços viando pó

   num país inteiramente líquido: vejam a força da imagem. Rara espécie animal aparece de repente: “Comprar na loja Y é supergalinhamorta”.
   Prosseguimos invocados, sonhando “o sonho branco das noites de julho”: “Ponha uma onça no seu gravador”. “A alegria está no açúcar”. “Pneu de ombro arredondados é mais pneu”.
   O olhador sente o prazer de novas associações de coisas, animais, e pessoas;

   e este prazer é poético. Quem disse que a poesia ainda é desvalorizada? A bossa dos anúncios prova o contrário. E, ao vender-nos qualquer mercadoria, eles nos dão de presente “algo mais”, que é produto da imaginação e tem serventia, como as coisas concretas, que também de pão abstrato se nutre o homem.


CRÔNICA LÍRICA


Também não apresenta um forma fixa de composição. O autor parte de um fato e faz livres associações, usando a linguagem sentimental, conotativa, traduzindo, de uma forma bastante emotiva, uma realidade pessoal ou não. O QUE É LÍRICA: É a qualidade de algo sentimental, que se destaca pelo sentimentalismo.


Este adjetivo costuma ser utilizado para se referir ao gênero literário composto pelo uso do canto e da música, onde o autor da obra utiliza-se do “eu-lírico” para expor intensas emoções e sentimentos no texto
EXEMPLO:


 

O ANJO DA NOITE

   O guarda – noturno caminha com delicadeza, para não assustar, para não acordar ninguém. Lá vão seus passos vagarosos, cadenciados, cosendo a sua sombra com a pedra da calçada.
   Vagos rumores de bondes, de ônibus, os últimos veículos, já sonolentos, que vão e voltam quase vazios.

  O guarda-noturno, que passa rente às casas, pode ouvir ainda a música de algum rádio, o choro de alguma criança, um resto de conversa, alguma risada. Mas vai andando. A noite é serena, a rua está em paz, o luar põe uma névoa azulada nos jardins, nos terraços, nas fachadas: o guarda-noturno pára e contempla.


      À noite, o mundo é bonito, como se não houvesse desacordos, aflições e ameaças. Mesmo os doentes parece que são mais felizes: esperam dormir um pouco à suavidade da sombra e do silêncio. Há muitos sonhos em cada casa. É bom ter uma casa, dormir, sonhar. O gato retardatário que volta apressado, com certo ar de culpa, num pulo exato galga o muro e desaparece: ele também tem o seu cantinho para descansar.

  O mundo podia ser tranquilo. As criaturas podiam ser amáveis. No entanto, ele mesmo, o guarda-noturno traz um bom revólver no bolso, para defender uma rua...
      E se um pequeno rumor chega ao seu ouvido e um vulto parece apontar na esquina, o guarda-noturno torna a trilhar longamente, como quem vai soprando um longo colar de contas de vidro. E recomeça a andar, passo a passo, firme e cauteloso, dissipando ladrões e fantasmas.

É a hora muito profunda em que os insetos do jardim estão completamente extasiados, ao perfume da gardênia e à brancura da lua. E as pessoas adormecidas sentem, dentro de seus sonhos, que o guarda- noturno está tomando conta da noite, a vagar pelas ruas, anjo sem asas, porém armado.
(Cecília Meireles)














O MELHOR AMIGO

A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo, deu uma corridinha em direção de seu quarto.
– Meu filho? – gritou ela.
– O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.
– Que é que você está carregando aí?
Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido,tentou ainda ganhar tempo.
– Eu? Nada…
– Está sim. Você entrou carregando uma coisa.
Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar – o jeito era procurar comovê-la.Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:
– Olha aí, mamãe: é um filhote…
Seus olhos súplices aguardavam a decisão.
– Um filhote? Onde é que você arranjou isso?
– Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?
Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso. Insistiu ainda:
– Deve estar com fome, olha só a carinha que ele faz.
– Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!
– Ah, mamãe… – já compondo uma cara de choro.
– Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.
O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado:
A gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado desta maneira!
– Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – gritou, lá do quarto, e ficou
esperando a reação da mãe.
– Dez minutos – repetiu ela, com firmeza.
– Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.
– Você não é todo mundo.
– Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não
faço mais nada.
– Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a sua costura.
– A senhora é ruim mesmo, não tem coração!
– Sua alma, sua palma.
Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:
– Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.
– Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais
ninguém nesta vida.
– E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe?
– Mãe e cachorro não é a mesma coisa.
– Deixa de conversa: obedece sua mãe.
Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa.
– Pronto, mamãe!
E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.
– Eu devia ter pedido cinqüenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo.

Mensagem - Moacyr Scliar

Imagem relacionada
Um Rei mandava cortar a cabeça dos mensageiros que lhe davam más notícias. Desta forma, um processo de seleção se estabeleceu: os inábeis foram sendo progressivamente eliminados, até que restou apenas um mensageiro no país. Tratava-se, como é fácil de imaginar, de um homem que dominava espantosamente bem a arte de dar más notícias. Seu filho morreu – dizia a uma mãe, e a mulher punha-se a entoar cânticos de júbilo: Aleluia, Senhor! Sua casa incendiou, – dizia a um viúvo, que prorrompia em aplausos frenéticos. Ao Rei, o mensageiro anunciou sucessivas derrotas militares, epidemias de peste, catástrofes naturais, destruição de colheitas, miséria e fome; surpreso consigo mesmo, o Rei ouvia sorrindo tais novas. Tão satisfeito ficou com o mensageiro, que o nomeou seu porta-voz oficial. Nesta importante posição, o mensageiro não tardou a granjear a simpatia e o afeto do público. Paralelamente, crescia o ódio contra o monarca; uma rebelião popular acabou por destituí-lo, e o antigo mensageiro foi coroado Rei. A primeira coisa que fez, ao assumir o governo, foi mandar executar todos os candidatos a mensageiro. A começar por aqueles que dominavam a arte de dar más notícias.

O rosto na multidão - CARLOS HEITOR CONY



Tudo bem, cada um se diverte e se glorifica como quer. A mania agora é fuçar fotos do passado, sobretudo as das passeatas de 1968, documentadas à farta pelos bons profissionais do ramo. Apesar de farta, a oferta foi menor do que a procura, não deu para todo mundo deixar registro na história nacional. Mesmo assim, descontando os que morreram por isso ou por aquilo, é difícil encontrar um cidadão maior de 40 anos que não tenha dado sua contribuição heróica à luta contra a ditadura.
Parece um pouco com o caso dos figurantes dos filmes do Glauber. Volta e meia esbarro com um cara que garante ter feito figuração em tal filme -e, neste particular, minha glória particular é ter tido um irmão que, sem querer, fez figuração num filme de Hitchcock ("Notorius") que tem cenas passadas aqui no Rio. Cary Grant e Ingrid Bergman estão sentados na Cinelândia, tomando coco por canudinho, ali mesmo no Amarelinho, gente passando pra lá e pra cá. De repente, surge meu irmão, que estava indo para a Faculdade de Medicina, tomava o bonde ali perto, no Tabuleiro da Baiana. A cena é rápida, mas deu para consagrar a família.
Bem verdade que o Janio de Freitas e o Ruy Castro viram o filme 247 vezes para me desmentirem, mas, nos fastos familiares, ninguém nos tira essa glória.
Voltando às fotos da passeata. Não me procuro entre os heróis daquele tempo. Não participei de nenhuma delas, metade por preguiça, metade por ser militante do único partido que me interessa, o do "Eu Sozinho".
Quando chegar ao inferno (este dia não está tão longe assim), pedirei a Satanás um único favor: o de me dar uns gravetinhos e uma caixinha de fósforos para fazer a minha fogueirinha particular, onde purgarei meus pecados. Sozinho e mal-acompanhado.
CRÔNICA CRÍTICA

O que faz bem pra saúde? - Luis Fernando Veríssimo




Cada semana, uma novidade.
A última foi que pizza previne câncer do esôfago.
Acho a maior graça.
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas peraí, não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz eu me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois eu rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas, me incham o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais os médicos deveriam proibir - como doem!
Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar.
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou muzzarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, UAU!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
Beijar é melhor do que fumar.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Tomo pouca água, bebo mais que um cálice de vinho por dia, faz dois meses que não piso na academia, mas tenho dormido bem, trabalhado bastante, encontrado meus amigos, ido ao cinema e confiado que tudo isso pode me levar a uma idade avançada.
Sonhar é melhor do que nada.

Em: redacao-coc.blogspot.com.br/2011/04/cronica imagens Internet acesso em 28/05/17 15h:41
PtD: Profª Wilma

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